quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Não leva

Escrevo hoje tão calma. Como se a vida fosse simples. Escrevo hoje em meu castelo, acostumada a uma angústia tão minha. Já não é possível dizer sobre aquilo que nos é tão próprio, tão infinitamente nosso.
Aquilo que nasce pulsante antes de pele. Antes do coração, aquilo que busco nas praças.
Acho bonito como sua história se entrelaça nas minhas letras. Uma história como qualquer outra. Mas me atrai porque é sua, repleta de infinitos. E aprendi a ter medo dos mistérios e das alturas, dos escuros e das velocidades, dos amores e das loucuras, dos orgasmos...
Lembra-te do dia, meu bem? Do nosso dia? Eu me lembro.
lembro-me dos amores inventados. E, assim, não mais que de repente, sou vazia. Lembro-me das cócegas nos meus pés descalços, ensinando-me que: "O tempo é hoje!"
Lembro-me de um barulho sossegado da sua respiração em minha nuca. E esperávamos a felicidade - como estatuas tristes.
Abro os olhos e sinto carícias em meu ventre oco. Me pediu silêncio...e nunca mais pude amar você.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Des(apego)


Ela ali: como tantas outras. Como se fosse ninguém. Os anos passados trazem lembranças. Lembranças bonitas que ela nem sabia agora se eram realmente boas. Tinha paixão pelos hojes de cada dia.
Ninguém sabia de seus miúdos prazeres breves, seus excessos de observar, destrinchar a vida em pedaços sórdidos. Dona dos sonhos. Sonhos, pequenezas e inteirezas de uma vida bem narrada. Tão crua. Tão ela.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Resposta de Eunice

Não sei ao certo se isso era você. Ou era eu?
Só me lembro dos livros compartilhados. Eu ali sedenta. Absurdamente sedenta. Hoje quando vejo essas imagens de cores fortes e loucas -algo próprio de ser- percebo que é possível desmanchar as letras e todos os seus pudores, mas eu amava os livros.
Talvez seja uma lembrança inventada. Mas, sei que amava o toque delicado de mundos distantes, o suave roçar das letras, amava o sexo em seu princípio e fim.





Ainda habitará em mim o tempo dessas tardes azuis e mortas.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Emancipe em todos nós

Realidades sem caráter gerem drásticas conseqüências: homens sem vontade.
Escravos da tendência, atitudes são regras das aparências. Restos, gestos pequenos, traços  vividos dessa vida profana. Sim, feliz, mas também cruel (mundo de caprichos).

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Coluna Partida de Frida Kahlo


Ya veremos, ya aprenderemos. Siempre hay cosas nuevas. Siempre ligadas a las antigas vidas.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Fecundar-se




-Vejo-me aqui no vazio de sentido é um túnel infinito e minha pele se desfaz turva. Findo-me. Bebo um pouco de veneno diário, queridos, não me queixo deixo a lágrima que segue seu caminho de rugas facilitadas pela cosmética barata. E o dia? O dia se foi com o que resta. Deformada estou. Sozinha com minhas mágoas imaginárias. A flor foi plantada em meu ventre violado. Vendia minha alma em discórdia e tumulto, depois a cama quente e abandonada. E eu representando o papel de mulher ardente. Feita de orgulho e veneno. Não, não se pode viver no vácuo respira-se o ar rarefeito.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Dos espelhos ao Silêncio



Após a incompreensibilidade em relação ao  humano, vem a tristeza. Confesso no começo não sentia falta bom vagar pelo mudo com    pensamentos vazios em um beco qualquer. E o insuportável silêncio. O silêncio que lhe permite ver através do espelho as marcas das cicatrizes, subentendidas no vazio. Aos poucos, no entanto, o silêncio emana um som, Saudade.
Saudade das frases não ditas, dos beijos não dados, das confissões não enunciadas, das noites em claro, da insônia compartilhada. Talvez tudo, talvez o nada.
Eu ouço o som do silêncio.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

4:20



Uma barreira imutável seria o medo da presença material?
Invade a alma, intenso, não quer perder o real. Uma realidade súbita de um sentimento repugnante. Lágrimas rolam à face febril.
(café)
Querendo apenas que isso parasse, não eram calmos, gestos ignóbeis. Paixão em estado irônico ou culpa?O medo se fragmenta.
(cigarro)
Silêncio.
Céu entorpecido mergulha nesse vale tão incerto, deparava-se consigo, esperava respostas contidas em ritmos melancólicos. O olhar para si adquire dor e uma fúria. Esperava que pudesse acalmar-se. Lágrimas em volúpias esperam soluções. Existe?
Sentidos vagam, entrega-se sincera. A insensatez se dilui, o escuro perde seu encanto, entrega-se à luz (adormece). O perfume que se propagava não vinha das flores.
6:20

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Gavião




Gavião lá no mato fez um ninho
e na galha pousou
Foi subindo de galha por galha
Foi ali que o Amor me deixou

Mas quando voa tristonho o gavião
também trago no peito essa dor
Mas não voa tristonho o gavião.


Foi subindo de galha por galha
Foi ali que o Amor me deixou

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sobre o Tempo






Lá fora nem chuva, nem sol, nem dia, nem noite.Lá dentro roupas jogadas, papéis em branco, caneta tinteiro inutilizada, chaves perdidas.Na cozinha, o vapor do chá fumegante ao fogão, música calma ao fundo, como uma chuva cristalina a tilintar.

Silêncio! Não te assuste, este é o teu refúgio, não enfraquece, não dói. Fique parado, respire, sinta, feche os olhos, Reflita.

Há um mundo lhe esperando lá fora .

domingo, 24 de outubro de 2010

24 de outubro


Frida Kahlo



Os dias vão passando em uma calmaria atípica, de infinita palidez aos invisíveis.
Por vezes dança lasciva e seduz ardente, reinventa-se inteira do não dito e se fantasia de invisibilidades. Todas essas coisas se chamam ausência. A ausência é água corrente, incompreendida e na mais perfeita paz. Eu romantizo a ausência, por ser incapaz de amar qualquer coisa que seja.


Não entendo o que escrevo hoje. Eu romantizo culpas.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Eunice



Eunice,








É difícil dizer o desconforto que sua ausência me causa. Tão escassos têm sido nossos encontros que acabo por me esquecer do ponto em que paramos.
Sinto-me apedrejado pelos dias e pelos quilômetros, e perseguido por imagens torpes. Os minutos são longínquos, acostumei a liquefazer muitos desejos, minhas ânsias e impulsos, estarei acostumado as tuas crises,estarei sempre cobrindo tua fúria.
Mas tudo torna- se tão distante quando começam os segredos.







J.F